Posada.

A melhor parte de ir em eventos de quadrinhos como a Comic Con Experience ou o FIQ, é a interação que acabo tendo com muita gente diferente e ter a possibilidade de trocar experiências com essas pessoas incríveis.
Em 2015, eu estava lançando “Desengano” na CCXP e logo nas primeiras páginas, tem uma citação:
“O que eu sou, eu sou em par.”

Um cara chegou na minha mesa, folheou o gibi todo, quando viu essa citação, disse: “Ah! Eu vou querer esse gibi cara, você tá citando o Posada nessa HQ, deve ser boa pra caralho!”
Fiquei feliz e surpreso.
-Pô, você conhece Posada?
-Porra! Pra caramba, eu sou do Rio e ele tem uma banda foda lá. Chama Posada e o Clã, conhece?

Não conhecia. E ele me falou bem demais dessa banda. O que eu sabia do Carlos Posada até então, era da parceria dele na faixa “Castanho” do disco Carbono do Lenine.

Eu terminei Desengano quase na mesma época que estava saindo esse disco e quando fui ao show de lançamento no SESC Pinheiros, era no refrão de Castanho que ele dizia:
“O que eu sou, eu sou em par”.

Essa frase casava com tudo que tinha em Desengano, era a frase que abriria a história, com certeza, então eu peguei o arquivo antes de mandar pra gráfica e adicionei essa frase.
Para mim, sintetiza a HQ, sintetiza muito o que eu sou.

Quando voltei pra casa depois do evento, resolvi tomar vergonha na cara e procurar mais sobre o tal Carlos Posada. Eu achava que era um velho, não sei por que, talvez pela maturidade na letra, pela poesia tão forte naquela canção.

E eis que encontro esses dois vídeos que me explodiram a cabeça:

As músicas eram ótimas e o Posada não era velho.
Eu adorei.
Não gosto de muita coisa que se toca hoje, muitas das novas bandas e compositores, para mim, estão só tentando imitar seus ídolos e falta muita identidade.
E o Posada quebrou tudo isso! Puta som sincero.

E então começamos a trocar ideias. E além de ser um puta poeta, ele é um cara gente fina demais.
Conversamos muito. Na época ele tava gravando um disco novo e me pediu uns desenhos. Enquanto ele me mandava as músicas, eu mandava desenhos e foi nascendo uma energia muito boa na medida que a coisa evoluía.

Acabou não rolando a ilustração para o disco, mas o processo foi bom mesmo assim.
Fiquei satisfeito com a arte que produzi e o disco dele ficou muito bom.
Então, se ainda não conhece Carlos Posada, taí uma boa oportunidade para ouvir um som foda!

Esse é o disco, Isabel:

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