Carregando memórias.

milo praia low

Eu costumo me perder demais nas memórias mais recentes.
Não sei se é por andar avoado ou essas memórias de hoje só virão me visitar daqui uns 20 anos, assim como as memórias da minha infância são cada vez mais vivas a cada dia desfalecido que passa.
Sim, podem ser os dias mortiços que acabam por me remeter há uma época que para mim, haviam cores de uma vida mais doce.
Os momentos mais doces, hoje são mais pontuais, assim como tudo quando se cresce, tem a hora certa para fazer.
Tem a hora do trabalho, a hora do ônibus, a hora do descanso, horário do almoço, e a hora do saudosismo.
Os momentos bons são registrados de outras maneiras, com uma outra percepção do viver.
Por exemplo, quando eu revejo um vídeo que há tempo não via, e é um vídeo que me agrada, vem a nostalgia de quando o vi e como estava quando vi.
É meio doido, mas acontece. Vem a lembrança do momento de ter visto o vídeo ou ter vivenciado aquilo(no caso de algum vídeo que dei entrevista ou coisa parecida).
Procuro registrar no blog as nostalgias digitais que tem me aparecido. E olha que ano passado foi o ano que mais participei de vídeos ou obras minhas foram revisadas.
Isso é muito legal.
Tenho certeza que esse blog, faço mais para mim do que para qualquer outra pessoa.

Pois me faz bem entrar e rememorar momentos da minha vida. De como eu estava escrevendo em determinado momento.

No começo do ano eu fui para a Paraíba.
Eu não gostava de praia.
E lá eu mudei. O ranzinza ficou menos cinza e mais corado.
Hoje eu amo uma praia.
Eu mudo fácil. Não mudo, não. Mudo sim.

Lá eu conversei com o Bobby, dei uma entrevista que eu adorei fazer. Eu tava extremamente entusiasmado, mas tava muito preocupado, muito nervoso… Com tudo. Como sempre.
Mas eu me senti bem naquele momento que falava com esse cara, me senti em casa. Me senti acolhido de alguma maneira.
Todo mundo me acolheu de uma maneira muito especial em João Pessoa. Todo mundo mesmo.
Inclusive, na noite de autógrafos lá na Comic House, eu sentei na mesa e chamei o primeiro cara da fila:
-E aí, tudo bem? Poxa, obrigado por vir aqui, você curte meu trabalho?
-Não… Eu odeio!

Dei risada achando que ele estava brincando, mas ele tava falando muito sério, e foi muito engraçado o quanto ele foi sincero. O cara me odiava, mas tava me dando mais uma chance, e na real, eu fiquei feliz demais pela sinceridade dele, que me falou tudo que não gostava do meu trabalho e eu tentei retrucar tudo que ele dizia. Mas em nenhum momento me senti ofendido ou coisa do tipo, pelo contrário, eu adorei o cara! Ele até me serviu um copo d’água no meio da loucura que estava depois. Eu não tomei. Vai que ele havia cuspido, né?

Lá na Paraíba, passei os dias dividindo a rotina com o Denis Mello, que era também convidado para uma sessão lá na Comic House. E esse foi outro cara iluminado que me fez um bem desgraçado nos poucos dias que estive por lá. Pessoas que faço questão de guardar em um lugar especial da memória.
Resolvi juntar 3 vídeos para guardar na minha memória recente pr’eu nunca me esquecer dessas pessoas. Para ficarem aqui, fixadas nesse blog empoeirado, fora de moda e antiquado.
O primeiro vídeo é o do Bobby que mencionei há pouco, lá na Paraíba.
O outro é do Vidal do Na Disciplina onde ele colocou Desengano como uma das cinco melhores leituras que ele teve em 2015.
E o último é um mais recente da Tatiana Feltrim onde ela comenta a experiência de ter lido a minha HQ.

Toda vez que ver um desses vídeos, vou voltar pro momento de quando os vi pela primeira vez e vou lembrar de como eu estava. E como acabaram me deixando muito melhor.
Carregando memórias que nos carregam.

No minuto 05:10

No minuto 07:49

Santos Drummond, o poeta voador.

Em tempos de constantes tempestades, a dolorida realidade clama por um herói.
Morto e renascido em cada poesia.
Se alimentando da palavra.
E voando para evitar o trânsito.
Transita entre os mortais, mas é herói e se faz santo.
A pluralidade das vozes poéticas o obriga a ser mais de um, mais do que todos nós.
O Santo se revela muitos, Santos.
Santos que tem como religião a poesia.
Sob este caminho, haverão muitas pedras.
Apresento Santos Drummond, o poeta voador.

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