Simbora pra CCXP e pro FIQ?

ccxpfiqpromo

Um pessoal veio me perguntar se eu iria em algum evento esse ano lançar minha nova HQ.
Dois dos maiores eventos de Quadrinhos do País acontecerão no final desse ano de 2015.
E eu vou nos DOIS!! Claro que vou!!

Levando o novo trabalho Desengano para você!
Além de alguns prints com as ilustrações mais lindonas que eu puder fazer!!

Então se liga no FIQ de 11 a 15 de novembro em Belo Horizonte e na Comic Con Experience de 3 a 6 de dezembro em São Paulo!!
Simbora, hein??

Nos vemos lá!!

O mundo invertido e Lenine, simples assim.

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Quando eu ouço uma música boa, que mexe comigo e mexe com as moléculas do corpo, causando uma dança de estímulos químicos que fazem os olhos sorrir e a cabeça voar, é quando sinto que essa vida taí. A gente não pensa muito que a vida está aqui, quando pensa, tenta esquecer rápido. Afinal, tudo é passageiro e não posso ficar parado pensando nisso.

Fomos no show do lançamento do disco novo do Lenine, o Carbono. Eu e minha moça.
Já faz um tempo que ensaiava fazer um post sobre o Lenine e sobre a importância que esse cara tem na minha vida.
Me inspira de um jeito único, me faz pensar demais, me faz querer produzir arte, produzir do meu jeito, no meu caminho.
Quando diz que muito do que faz, não pensa e se lança sem compromisso, que vai no seu compasso… Ele tá falando sobre mim. E com certeza, sobre muitos outros. Acho de uma sensibilidade absurda esse tipo de artista que conversa com cada um de uma maneira diferente com a mesma canção.

Muitas vezes já pensei em tentar seguir a carreira musical, pois amo compor, mas não amo me apresentar. A timidez é uma coisa que é muito incoerente em mim. Muitos que me conhecem falam que não sou tímido, mas sei que sou, e que muitas vezes dói até pra conversar. Estranho. Bizarro.

Já fiz várias músicas mas hoje bem menos, resolvi canalizar meus esforços para o desenho e essa escolha tem me levado a outros caminhos que não são tão musicais. Mas carrego em mim essa essência musical e tento manter a cadência que a vida insiste em acelerar.

Quando saiu o disco Chão (anterior ao Carbono), eu me apaixonei tanto pelo disco que resolvi fazer uma história em quadrinhos baseado em todo o álbum. Eu já tinha uma ideia de uma teoria que tinha criado e resolvi pegar essa teoria e juntar com as ideias do disco e saiu a “Síndorme do Mundo Invertido”.
Mas nunca virou quadrinho. E acho que nunca virará. Muitos projetos acontecendo no momento e como produzir uma HQ leva muito tempo, resolvi engavetar.
O show desse sábado foi tão forte, tão poderoso que resolvi postar o roteiro dessa história aqui. Aproveitei e fiz uma aquarela.
Esse texto e esse desenho são como um agradecimento. E um convite para quem não conhece muito o som desse gênio da música brasileira.

Síndrome do Mundo Invertido

Malabarista em cima de um monociclo no sinal da Avenida Nações Unidas com a Rodrigues Alves em Bauru. Noite.

No lapso do tempo o pino vai e me deixa sozinho e logo volta para minha mão, acabou a solidão. Acabou a ilusão.
E dessa vez cai no chão e abre o sinal.
E os sinais cada vez mais livres e leves.

Jovem, porém com sinais de vida vivida, comida mal digerida, arrependimentos mal digeridos e a busca pela cura do que não sente, mas que dói muito.
O que há com essa cidade?
O que há para haver?
Todos os carros com pessoas dentro. Todas tão sozinhas, inseguras e seguindo a mesma direção, o cardume de linhas tortas que se cruzam para o acaso. Todo mundo é igual a todo mundo.
Indo ao fundo e voltando. Se superando e requebrando.
Eu fico aqui ganhando meus trocados e imaginando o quanto de malvadeza ainda existe. Sem dó dos corações que caminham na mesma Avenida. Indo ou vindo.
Amargando os momentos e cortando a música que tocam nos rádios, caminhando na mesma direção.
Chegamos a um ponto sem regresso onde o começo virou fim, e o fim é, basicamente apenas o começo de algo que ninguém sabe o quê. E isso é só o começo.
Enfrentamos a maior crise que a humanidade já teve, crise econômica? Crise de meia idade? Crise depressiva?
Nenhuma delas. É a crise do Mundo invertido. Pior que depressão, pior do que tudo e melhor do que nada, essa síndrome nos mostra que não adianta olhar para o céu e ver tantos seres estranhos, se estamos a cada minuto caindo num precipício de nuvens.
O problema não é olhar pro céu. Mas sim, olhar apenas para cima e esquecermos de onde viemos e quais caminhos a gente percorreu.
O Céu já está no limite. Já enxergo o seu fim.
Mas não encontro meu chão há muito tempo.

Não há mais chão.
Acham que o chão também resolveu olhar para cima e se esquecer o que ele realmente é.
Assim como todo mundo anda fazendo. Nos esquecendo de quem somos.

Mas isso não é o fim. O pior é que, é só o começo.
E por mais que digam que o homem é culpado por tudo que faz e, sim, isso é verdade, o bom ser humano(ainda existem, e muitos) enverga mas não quebra. Tal qual bambu. Tal qual você.
É nas canções que acabo por almejar um mundo melhor e ver que tudo ainda não está perdido.
Sei que ando pisando no desconhecido e que tudo é atrito, mau escrito, tudo nada mais que, um falso bonito.
Mas de onde vem as belas canções? De onde vem esses seres estranhos?
Do céu aos meus pés. Do chão na minha cabeça onde se traçam caminhos invertidos,
corrompidos e na maioria das vezes esquecidos, esses seres esquecidos. Caminhando na mesma direção.
Ainda dá tempo, sem perder o tempo, na cadência mesmo sem uma clara regência talvez algo de bom ainda surja. As Avenidas se cruzam mas os olhares não. As direções seguem um caminho mas o destino somos nós que escolhemos. O combustível esgota mas as gotas de um choro verdadeiro, não. O retrovisor tem um ponto cego assim como o passado que não vale a pena lembrar. Amanhã é um novo dia para pôr os pés no chão e simplesmente voar.
E o melhor é que, isso é só o começo.

https://www.youtube.com/watch?v=spwQxazJ074