O que realmente é e será “Desengano”.

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Dias atrás parei e reli todo o roteiro da minha nova história.
Dei aquela verificada final pra ver se eu ainda era aquele mesmo Camilo que escreveu o texto naquele final de 2013 e comecinho de 2014.

Ao começar a ler, voltei no tempo, me teletransportei para aquele dia de verão onde me agarrei ao notebook, coloquei o primeiro disco do Chico Buarque(baixado ilegalmente), sentei nessas cadeiras com tiras de plástico verde que não faço ideia de como chama, joguei um dos chinelos no chão, cruzei os pés, dei uma respirada, um carinho no Tufinho e comecei a escrever. E assim, numa tacada só saiu “Desengano”.
Devo ter demorado umas 4 horas para escrever.

Agora volto para 2015. Eu não gosto de escrever com música nem nenhum barulho, nesse caso foi uma exceção. Ao ler o roteiro de Desengano novamente, eu vejo que minha história não tem NADA a ver com Chico Buarque. Me assusto. Eu achava que tinha alguma coisa a ver. Eu dizia para amigos que a trilha sonora da minha próxima história seria Chico Buarque. E agora vejo que não tem nada do Chico na minha história. Era a minha trilha sonora daqueles dias calorentos, mas não é a trilha sonora da minha História em Quadrinhos.

Meio envergonhado decido fazer um texto para explicar o quê realmente será Desengano.
E então volto mais ainda no tempo. Volto pro FIQ de 2013. Teve uma rodada de negócios e lembro-me de ter conversado com vários editores.
Um especificamente me disse que enquanto eu não tivesse nada sólido para mostrar, ninguém ia querer me publicar por causa de uma boa ideia que eu tivesse.
Foi uma das lições que mais me marcaram e por conta disso que tive o tesão de, no final daquele verão, eu teria que ter uma história boa para contar.
Assim nasceu o roteiro de “Desengano”.

No meio disso, houveram diversas atividades paralelas e projetos nasceram, morreram, se engavetaram, mas “Desengano” ainda morando naquele lugar especial esperando para nascer.
E tá quase nascendo.

Descobri também em momentos de escavação ao meu subconsciente que eu disse que tinha Chico Buarque como trilha sonora apenas para eu tentar conhecer pessoalmente ele. É muita safadeza da minha parte e resolvi desencanar disso. Um dia ele me paga um almoço e tá tranquilo.

O que é “Desengano”?
Desengano é a melhor coisa que já escrevi, posso parecer babaca com essa frase, mas é pecado eu dizer que foi a história que mais gostei de escrever até agora? Não, né… Espero que não.

É uma história de acasos, ocasos e descasos.
É uma luta conta o tempo escasso.
É um carinho, é um abraçaço.

E eu sou o Camilo atualizado daquela época, com certeza, naquele momento de evolução onde só quero dizer “pra todo mundo que me gosta, que hoje eu me gosto muito mais, porque me entendo muito mais também…”

Então Gonzaguinha, Chico, Caetano, Gil, Gonzagão e John Lennon, deem licença que gentilmente vos peço passagem.

Pois sempre peço licença, mas nunca deixo de entrar.