TPM: Tensão da Polícia Militar.

“[…] fico chateada é com a falta de informação. A questão da maconha é colocada como a mais importante em todo esse processo de indignação dos alunos contra a PM. Mas não é verdade. Isso é o que chega através da mídia pra todo mundo. E todos compram essa ideia sem questionar.
O seu relato sobre a abordagem bruta que te fizeram quando você saia de casa é muito semelhante ao que acontece na USP hoje e o que revolta as pessoas, não apenas os estudantes. Digo isso porque muito professores foram abordados dessa maneira na frente da biblioteca da faculdade de filosofia, letras e ciências humanas, onde estudo e trabalho. Professores e não estudantes com camisetas de Bob Marley ou de Ches. O que está em jogo em toda essa história, de fato, afirmo com propriedade, não é a maconha. O que está em jogo naquela universidade é o papel da PM dentro do campus, que não está bem definido.
Na teoria, a PM está no campus pra trazer mais segurança. Na prática não. Na prática, a PM estava fazendo uma blitz gigante no dia em que o estudante da FEA morreu. Na prática, a PM estava no campus, quando o Centro Acadêmico da Escola de Comunicação e Artes foi roubado, e levaram todo o equipamento de som, impedindo um show de uma banda de estudantes na semana seguinte. Na prática, a PM está no campus, mas não está na frente da Biologia, na rua do Matão, a rua mais escura da universidade, quando são 22:30 e os alunos saem da aula. Na prática a PM está rondando a FFLCH, polo de manifestações políticas e não na frente da entrada da favela São Remo, de onde os alunos compram a maconha que usam. Afinal a PM está lá para nos proteger ou para que tenhamos medo dela?
Queremos segurança, mas não queremos ser reprimidos dessa maneira. Queremos que nosso reitor resolva esse problema com uma segurança apropriada na universidade. Que saiba acudir mulheres que foram estupradas, carros que foram roubados e homens assaltados. Uma segurança da universidade e não um convênio com um aparato militar que não dialoga nunca.
Tudo explodiu com a questão da maconha, mas asseguro que isso foi o estopim de uma insatisfação antiga naquela universidade.[…]” -Aline Parra

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