“Isquétchêbúqui”

Sou apaixonado por rabiscos.
Sketchs… Ahhhhhhhh se as HQ’s fossem todas feitas no lápis numa folha velha eu já seria feliz o suficiente…

Sério, quando procuro imagens, torço demais pra achar algum sketch de algum artista bom…
Gosto muito mais… E provavelmente não sou o único, pelo contrário, a galera adora um sketch…
Por isso nesse post vou colocar meus sketchs de alguns dos meus caderninhos e que o Paulão me ajudou pra tirar as fotos.

Ahhh…eu prefiro muito mais meus desenhos no sketch também…
É sempre assim, quando você faz um esboço para depois fazer o definitivo, o esboço no seu sketch sempre fica mais fluído, mais solto, enquanto que o desenho final, apesar de mais bem acabado, perde um pouco daquela naturalidade que sai no sketch…

Eu comprei o Diburros do Marcelo Braga…Mas esqueci de escanear o sketch que ele fez e mandou junto da revista…PUTA QUE PARIU!! Muito bom…Vou escanear e logo posto aqui…

Gostei demais. Sketch é o que há!

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Tomá geral.

Esse é foi um cartaz que fiz junto com o Help para esse lance que rolou no Jack com a banda do meu amigo Danilo

Terça feira. Três da tarde. Decido ir mais cedo pra faculdade. Vou pro banho. Saio do banho. Só de cueca vou escolher uma camiseta. Vejo aquela do Speed Racer. Lembro que era essa que estava usando na vez que fui assaltado em São Paulo. Escolhi minha camiseta preta do Che Guevara. Tenho medo da camiseta do Speed desde que aquilo aconteceu.

Acho minha chave. Quase quatro da tarde.
Desço de elevador. Digo tchau pra senhora da portaria.
Na rua em frente o prédio aguardo abrir o sinal preu atravessar a rua.
Pára um camburão da polícia bem devagar perto de mim. Cinco homens dentro. Três saem olhando de maneira furiosa pra mim. Os três seguram suas armas. Eu me seguro pra não mijar nas calças. Ergo as mãos, desesperado. Num tom delicado e suave um deles diz.
“O que cê tá fazendo aqui?”
“T-tô esperando p-pra a-atravessar a rua…”
“Cê mora aqui?”
Aponta pro prédio
“Sim!”
Com a delicadeza que ele expressa suas palavras, se ele perguntar se eu moro na zona eu afirmo. Meu coração bate tão forte que sinto que eles vão pensar que sou um homem-bomba com uma bomba relógio escondida no peito.
“Que que cê tem nessa mochila?”
“Eu tenh…”
“Tira ela!! Pega seu R.G.”
“ Acabaram de assaltar uma loja aqui na rua de cima. Era um rapaz armado, com uma mochila, camiseta preta do Bob Marley e pelo jeito se parece muito com você!”
“Não…como assim? Eu moro aqui…Esse é o Che”
Ele me revista inteiro. Me aperta inteiro e me deixa constrangido diante das pessoas que passam de carro.Ele abre minha mochila como se fosse um cachorro rasgando um saco de lixo desesperadamente buscando comida.
Pega o livro Coraline da Lá, pega minhas páginas teste de quadrinhos, olha pra tudo, olha pra mim.
“Que que você estuda?”
“D-d-design…”
“Designer?”
“É…”
“Você usa droga?”
“Não.”
“Cê tem passagem na polícia?”
Achava que passagem só se arrumava em rodoviária.
“Não, senhor…”
Ele pega minha carta de motorista, vai até o camburão, fala no rádio olhando pra mim, pega uma prancheta, anota várias coisas enquanto o outro policial está parado do meu lado me olhando com a mão na arma. O terceiro policial que desceu do carro simplesmente sumiu. Ou eu me confundi de tão nervoso que estava.
“ Óquei Camilo, muito obrigado… Num é ele não” Ele diz pro outro guarda.
“Mas é bem parecido, que coincidência né?”
O policial já está mais sorridente.
Não falo quase nada.
Eles saem me deixando com a mochila toda aberta, escancarada e me deixando com o coração ainda batendo muito forte.
Até eu arrumar minha mochila novamente e voltar para a espera do sinal de pedestres abrir, passam três motos de policiais quase parando, me encarando novamente.
Caralho. Só faltava esses me pararem também. Não pararam.

Eu gostava tanto dessa camiseta do Che Guevara.