Complexo de Épico.

Isso não se aplica apenas pros compositores…Mas pra todas as formas de expressão artística… Ou qualquer nome que resolverem dar para isso…

“Todo compositor brasileiro
é um complexado.

Por que então esta mania danada,
esta preocupação
de falar tão sério,
de parecer tão sério
de ser tão sério
de sorrir tão sério
de chorar tão sério
de brincar tão sério
de amar tão sério?

Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!

Por que então esta metáfora-coringa
chamada “válida”,
que não lhe sai da boca,
como se algum pesadelo
estivesse ameaçando
os nossos compassos
com cadeiras de roda, roda, roda, roda?

E por que então esta vontade
de parecer herói
ou professor universitário
(aquela tal classe
que, ou passa a aprender com os alunos
– quer dizer, com a rua –
ou não vai sobreviver)?

Porque a cobra
já começou
a comer a si mesma pela cauda,
sendo ao mesmo tempo
a fome e a comida.”

-Tom Zé.

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3 comentários sobre “Complexo de Épico.

  1. Li seu post já há uma semana mas pequenas obrigações me impediram de comentar, rs.
    Em se falando de expressão artística essa referência do Tom Zé acertou em cheio. Acho que ele é um personagem brasileiro que faz da sua arte curtição também e não apenas as pseudo chatices merecedoras de prêmios que muita gente por aí faz. Sério, algumas pessoas são tão encanadas em agradar ou tão encanadas de conseguir sempre o primeiro lugar, o grande destaque entre a multidão, que esquece de curtir aquilo que está fazendo E não consegue fazer absolutamente nada de arte. Enfim, apesar da seriedade que devemos ter com nossos trabalhos vale muito a pena também curtir aquilo que estamos fazendo. Procure um vídeo do Tom Zé sobre as calcinhas, é muito hilário.

    E quanto ao quadrinho, não tem como negar, me veio o “American Splendor” na hora. Não só pelo traço e talz mas também pela história. Me lembro que quando li esse livro uma das histórias que me chamou demais a atenção foi uma bem simples na qual um cara vinha vender um disco pro Pekar mas ele estava sem grana e fim, acabou, uma história “sem graça alguma”.
    Aí que eu acho que está a graça e a curtição das expressões artísticas: sempre teremos algo pra contar e sempre teremos como criar em cima do cotidiano, da banalidade e do ordinário. Dahora como as coisas conversam muito bem entre si: o quadrinho do sorvete, o quadrinho do disco, e o primeiro álbum do Tom Zé, de 1968, que traz um puta texto legal no encarte e que me fez pensar que também podemos ter arte num relato.

    • Ahhhh cara…muito legal seu comentário…valeu mesmo..mas é bem isso..
      essa coisa bizarra que conecta tudo…
      tá tudo junto..tamo tudo junto

      todos ligados por uma coisa que alguns podem achar mística, sobrenatural, transcendental…podem chamar de qualquer coisa…

      prefiro chamar de vida…

      e quanto ao Harvey, fantástica história…como sempre…
      Amo demais Harvey Pekar hehehe…
      foram umas de nossas primeiras conversas eu me lembro bem, lá em casa, falamos do American Splendor heheh

      Valeu Mura!!

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