Pó de café.

Coloquei alguns esboços e uma crônica, ou qualquer coisa desse tipo que escrevi e me senti bem depois de ter escrito.. Leia e me diga o que achou.

Quanto aos desenhos
Descobri esse deus…deus do silêncio…mas ele não é fisicamente assim…até porque um deus, não deve ter físico…

Dos temas do Studio, mais um:

Pó de café

Supermercado. Sempre como sempre. Pessoas. Carrinhos. Promoções.
Preciso comprar pó. De café. Descubro a falta de pó às três e meia duma tarde de terça quando a única coisa que me fará levantar será um pouco de cafeína em pó que logo vira líquido, que logo viro pra dentro de mim queimando minha garganta e minhas angústias.

Onde que se compra café no mercado? É tudo segmentado, tudo bem dividido e bem resolvido. Mercado é a mais pura forma de que o homem tenta se organizar, mas nunca se preenche por completo, sendo que sempre, no final, não sobra espaço no carrinho, elimina espaço na carteira, mas não preenche esse vazio impenetrável presente na alma do contemporâneo… Vou longe nos meus pensamentos inúteis…

Após olhar para todas as placas, Frios, Açougue, Cereais, Padaria…não vejo o pó de café incluído em nenhuma delas… Sinto pena do pobre pó no qual não se encaixa em nenhum tipo de nicho supermercadiano e isso me transporta pelo meu passado até o meu momento atual. Acabo por concordar comigo mesmo que sou um pó de café, pois assim como tal, não me incluo em grupo algum, em nenhum tipo humano, nunca me incluí, todos me olham com desprezo. Como é que conseguiria conviver com pedaços de carne de frango, ou peixe, ou boi ou vaca, a família animal reunida e eu completamente perdido e me sentindo um intruso nesse meio?
E nos frios? Como é que seria conviver com uma mussarela sem profundidade alguma? Totalmente ausente e sem sentimento. Uma mortadela defumada se vangloriando por se considerar mais descolada devido ao seu vício pré-histórico?

Nas “bebidas” teria que agüentar vinhos bebuns e refrigerantes juvenis constantemente com gases e muitas vezes sem gosto de nada…

Na “quitanda” os limões passariam o dia me azedando com conversas amargas e tristes… A manga com fiapos nos dentes eu não suportaria, daí já é uma neura minha, mas não consigo mesmo conviver com mangas…

Resolvo parar de tentar me encaixar em qualquer seção de supermercado, pois uma idéia vai levando a outra e isso acaba não me levando pra onde realmente quero ir. Encontrar meu café.

Dirijo-me a um desses garotos de uniforme pra perguntar sobre o sumiço do pó. Depois de alguns entretantos metereológicos, pergunto.
Ele aponta pra mim. Logo percebo que aponta para uma placa atrás de mim. “Fica ali na seção “Matinais””.

Nem agradeço. Com o corpo frio, caminho em direção a tal seção. No meio do caminho, desisto. Não consigo. É mais forte do que eu.
Por que “matinais”? Eu só posso beber de manhã?
Eu quero café. Mas agora não é de manhã. Não há coerência. Não tem sentido. Não posso pegar.
Está escrito. Matinais.
Saio cabisbaixo. Para me incluir nesse grupo, tenho que acordar cedo.
O supemercado está super-cercado de preconceitos.

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Soul.

Pra qualquer lugar que ando, sempre carrego meu sketchbook… Desde que comecei a comprar esses moleskines eu não vou pra lugar algum sem ele. É muito prático e ajuda demais nas horas de tédio. E como eu tenho muitas horas de tédio, estou sempre rabiscando alguma coisa nele…

E o legal de tudo é que dá pra sentir uma evolução de desenho pra desenho de cada página que corre do caderno… Eu muitas vezes tenho vergonha das primeiras páginas quando já estou no fim do sketch…

Cabeleireiro. Acabo de chegar e vejo que terei que esperar três pessoas cortarem o cabelo na minha frente. Ele não marca horário. Você chega e espera. Com o sketchbook na mão essa espera fica suave.

Tenho a idéia de me desenhar da maneira que eu gostaria que meu cabelo ficasse, pois às vezes é difícil transmitir o gosto e tudo mais com palavras…

Me desenho. Mudado. Diferente do Camilo que vejo no espelho. Estou frente a frente com o possível novo corte.

Peço pro cabeleireiro cortar daquele jeito. Ele vê e concorda.

Passa o tempo, passa a vassoura pra tirar todos meus fios que caíram. Pago.

Olho pro desenho e vejo que ficou parecido com o meu corte.
Mas uma sensação de pânico toma conta de mim quando penso que, se o desenho foi feito antes deu cortar o cabelo… Sou eu quem pareço com o desenho e não o desenho que parece comigo.

Quem eu sou?Sou o desenho ou é o lápis no papel que eu sou?

O que isso muda? Finjo ser humano? Finjo ser desenho?

Para que se corta o cabelo? Quão fútil posso parecer com um pensamento assim? Não posso negar as coisas que penso. Posso pensar que penso e repensar. Ou refazer. Ou redesenhar.

Borracha.

Hell.

Depois que fiz o Mojo Jojo e vi que gostei da maneira que trabalhei o rosto dele, pensei em fazer um Hellboy na mesma pegada…fiz uns estudos que são os que tão nessa página junto a um auto-retrato no cabeleireiro enquanto esperava chegar minha vez. O último capetão que desenhei foi o que mais curti, definitivamente… é o que está dizendo “Ok”.

Daê resolvi fazer um maior e pintar… Não sei se ficou muitíssimo original essa minha versão do Hellbs, mas foi muito gostoso de desenhar.
Esse vai pro Jorge, pro Help e pro Paulão. Fanáticos pelo vermeio.

Mojo jojo working.

Um dos temas que se seguiram na brincadeira dos sketches que estamos fazendo no studio foi o tema Meninas Super Poderosas. Foi o último tema e foi o Marco que deu. Curti demais. Todo mundo curtiu. Fiz dois desenhos. Um do Fuzzy Confusão que postarei mais pra frente e outo do Macaco Louco que tô colocando agora…Ahhh curti demais desenhar esse Macaco… O Milton fez as 3 meninas em guache e ficou muito bom também…o Marco ta acabando o Macaco Louco na versão dele, o Vin não sei o que vai fazer…e nem as meninas, Nat e Letícia, também ainda não sei…e tem do Caba tbm…

O nome do Macaco Louco original é Mojo Jojo… E é muito massa esse nome. É sonoro. É foda.
Esse personagem, na minha opinião é muito foda. Puta invenção louca do Gendy Tartakovsky…Com certeza escrevi o nome dele errado… é o cara que inventou o Dexter, o Samurai Jack e Symbionic Titan também.

Uma vez pensamos em fazer o tema Cartoon… Mas isso seria injusto e poucos segundos depois todo mundo já desencanou dessa idéia… Se déssemos esse tema ficaria tão difícil de escolher apenas um desenho no meio daquele universo que depois nem teria mais tanta graça…o negócio…é comer os desenhos aos poucos, cada tema, um desenho diferente… Mas nem sempre…Ah. Enfim, Got my Mojo Jojo!!

Créditos pro Marco que achou esse vídeo:

Muddy Waters.

Novo Fin?

Tenho um amigo que se chama Du.
Du Gordo.

Eu gosto muito dele. Ele é uma figura. FIGURA mesmo. O cara mais depressivo que eu já conheci, mas também um dos caras que consegue me fazer rir demais.
Ele é um depressivo diferente.

Mora perto da loja do Pent e tá sempre por lá, naquela tristeza.
Sempre que vou lá, pergunto se tá tudo bem. “Não”. Responde sem nenhuma expressão no rosto. Mas logo que a conversa vai fluindo, ele começa a rachar o bico e tudo mais.

Pra mim, ele é a encarnação do Fin, personagem que eu inventei. Tô pensando seriamente em mudar o design do personagem e fazê-lo mais parecido com o Du. Ele já aprovou a ideia.

Será?
É isso.