78.

Comprei uns discos velhos de 78 rotações e achei umas coisas que me deixaram louco de tesão ouvir aqueles sons antigos, chiados, barulhentos e sem qualidade…hehe

Continuando a coleção dos meus pais.

Sem querer fazer nenhum tipo de moralismo, nem querer parecer nada, pergunto por que quando estamos no ônibus ou em qualquer outro lugar e encostamos em alguém, desesperadamente pedimos desculpas?Só por encostar em alguém?
Esses dias encostei em um senhor sem querer e virei rapidíssimo pra pedir perdão tanto que o senhor se assustou comigo…
Mas que besteira…Ah sei lá…Acho que depende do grau de encostamento talvez.
Penso que as pessoas (inclusive eu) são seres de momentos, de planos, nem que forem mínimos, e que só dão atenção e valor para tais e não o caminho para eles…Nem eu entendi…É assim:
Se uma pessoa fosse a um show hoje a noite, onde encontraria todo mundo que quer ver, o plano e o momento que ela ensaiou o dia todo foi apenas a hora em que esta pessoa fosse chegar e estar no show.E então nos programamos para “estar no show as oito” e as outras ações necessárias para que isso aconteça, acontecem automaticamente sem a gente perceber nem dar valor.Não que tenha que dar valor, mas ao menos prestar atenção.Ahhhh sei lá.
Por exemplo, pra ir nesse show a pessoa precisa pegar um ônibus, e a partir do momento que essa pessoa entra no ônibus, ela não está lá, ela não quer estar lá e geralmente ela nem comenta com alguém como chegou no lugar.É só uma necessidade…e realmente é.
Mas eu sinto que a vida se desumaniza mais quando a pessoa faz questão de não estar ao menos ligada minimamente na vida externa, isso é uma ação similar a masturbação, onde você não depende de ninguém para fazer, nem liga pra ninguém, só faz.
Andar de ônibus com mp3 nos ouvidos é se masturbar na frente de todo mundo.

Todo dia eu vou com mp3 no ouvido.Não encoste em mim.

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Um comentário sobre “78.

  1. Caramba, há poucos dias tive essa mesma sensação de achar que as coisas estão um tanto desumanizadas. Bom, quando se vive numa cidade em que a pressa de morrer é o que nos faz levantar de manhã, dormir mal e sair de casa para algumas coisas sem muito sentido, é normal que a gente passe pela rua dizendo “bom dia” ou ainda “desculpe” sem nem ao menos pensar no que está fazendo.
    É uma relação bem tosca e até boba a que vou fazer, mas se pensarmos num filme como o “Click” (aquele de 2006 com Adam Sandler) em que a vida do cara passa correndo até algum momento específico em que ele quer parar, dá pra notar uma grande similaridade com nosso dia a dia.
    É fueda conseguir perceber o tédio em que muitas vezes vivemos. Tédio no sentido de não encontrar mais nada no mundo além daquilo que nos é dado.

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