Pedro Pedreiro.

Não sei se já coloquei essa página do meu caderno de esboços aqui.
É um ensaio de como eu faria uma capa de revista com minhas histórias.

Homens trabalhando. Assim diz a placa amarela que consigo ver da janela do meu prédio. Mas a placa não é nem um pouco necessária, pois esses homens que trabalham gritam mais do que trabalham.
Além de fazerem questão de dizer que estão trabalhando, colocam até uma placa avisando, ainda ficam gritando e buscando serem vistos. Isso é carência.
Esses pedreiros só podem estar se sentindo mal por não estarem tendo a devida atenção.
Eu acho viu.

Já faz um semana que eles estão aqui e passam o dia inteirinho gritando, não é possível alguém gritar tanto assim, não quero estar ao lado de um deles quando estiverem vendo um jogo da seleção.

Bem cedim começa a gritaria, e jogam entulhos numa caçamba, e vibram quando a caçamba tá cheia, e cantam para o Sol rachando e envelhecendo suas faces, poxa é tanta alegria no trabalho.Dá até gosto.
Na hora do almoço nem de boca cheia eles param : “Ô Pedrão, quer trocar o meu ‘largato’ pelo seu ‘franguempanado’?”Não trocou. O Pedrão gosta de frango. Depois do almoço pensa que eles descansam?”Truuucoo!!!” Esses caras são os melhores que já vi pra jogar truco. Eles deveriam ser nomeados os truqueiros oficiais. Eu não entendo como se joga truco, mas pelos gritos dá pra ver que é realmente emocionante…A vida deles é emocionante.

Mas eu acho que todo esse griteiro é na verdade uma carência de atenção, ou uma forma de distração gigantesca que esses caras tiveram a sacada inconscientemente de sobreviver a esse Sol que na sombra doura a pele e essa poeira sufocante que eles levantaram com tanta obra que fizeram.

Eu tive um sonho no qual eu tava dormindo, olha que coisa, isso é metalinguagem no sonho, e que os pedreiros começaram a baderna matinal.Eu fiquei tão puto com eles que abri a janela do quarto e dei um assovio tão alto, mas tão alto que no meio de umas colinas perto do mar eu acordei uma águia gigante azul clara e com o bico bem amarelo.Seus olhos abriram e ela gritou e saiu voando.Veio em direção ao assovio e ficou rodeando os pedreiros que permaneceram congelados,deslumbrados e enfeitiçados pela águia azul gigante…Nesse dia não houve mais trabalho, reinou o silêncio e a paz.Esse dia virou feriado na cidade pois fomos agraciados com a águia gigante que por sua beleza foi decretado o dia de olhar pro céu e apreciar a sua beleza.

Que sonho louco.
“Pulaaa,pulaaaa, HAHAHAHAHAHA!!!”
Acordei com o grito de um pedreiro falando pro seu colega que tava brincando de saltar do telhado.
Eu ri.

78.

Comprei uns discos velhos de 78 rotações e achei umas coisas que me deixaram louco de tesão ouvir aqueles sons antigos, chiados, barulhentos e sem qualidade…hehe

Continuando a coleção dos meus pais.

Sem querer fazer nenhum tipo de moralismo, nem querer parecer nada, pergunto por que quando estamos no ônibus ou em qualquer outro lugar e encostamos em alguém, desesperadamente pedimos desculpas?Só por encostar em alguém?
Esses dias encostei em um senhor sem querer e virei rapidíssimo pra pedir perdão tanto que o senhor se assustou comigo…
Mas que besteira…Ah sei lá…Acho que depende do grau de encostamento talvez.
Penso que as pessoas (inclusive eu) são seres de momentos, de planos, nem que forem mínimos, e que só dão atenção e valor para tais e não o caminho para eles…Nem eu entendi…É assim:
Se uma pessoa fosse a um show hoje a noite, onde encontraria todo mundo que quer ver, o plano e o momento que ela ensaiou o dia todo foi apenas a hora em que esta pessoa fosse chegar e estar no show.E então nos programamos para “estar no show as oito” e as outras ações necessárias para que isso aconteça, acontecem automaticamente sem a gente perceber nem dar valor.Não que tenha que dar valor, mas ao menos prestar atenção.Ahhhh sei lá.
Por exemplo, pra ir nesse show a pessoa precisa pegar um ônibus, e a partir do momento que essa pessoa entra no ônibus, ela não está lá, ela não quer estar lá e geralmente ela nem comenta com alguém como chegou no lugar.É só uma necessidade…e realmente é.
Mas eu sinto que a vida se desumaniza mais quando a pessoa faz questão de não estar ao menos ligada minimamente na vida externa, isso é uma ação similar a masturbação, onde você não depende de ninguém para fazer, nem liga pra ninguém, só faz.
Andar de ônibus com mp3 nos ouvidos é se masturbar na frente de todo mundo.

Todo dia eu vou com mp3 no ouvido.Não encoste em mim.

E cheios de ternura e graça.

Demorei um pouquinho pra postar algo novo aqui pois foi uma semana corrida e nem deu tempo…Bom por ser corrido e movimentado, ruim por não ter tempo de botar coisa aqui.
Bão, apareceu um trampo muito legal preu fazer e tô feliz com isso…Fazer um storyboard dum curta duma galera de Rádio e TV.
Bem legal.E tenho liberdade no traço.Fazendo a minha sujeira de siempre.

Capas de discos.
Vou fazer algumas capas de alguns discos que eu gosto muito.Até amo alguns.

O primeiro da série é Construção do Chiquim Buarque.
Pô, muita música boa nesse LP, Deus Lhe Pague que é um puta som, é pesado, é tenso.É um verdadeiro Rock’n’Roll hehehe…

Cotidiano.Boa demais.

E Valsinha.Acho que é a minha favorita desse disco.Porra, a música fala de uma transa mutcho loca de dois namorados mas dita numa classe tão grande, tão linda, tão singela que parece tudo ficar cheio de ternura e graça.Não é vulgar.A beleza é essa.Música de Tom, letra do Chiquitito.

Também, Construção, que dispensa qualquer comentário.

Sem ideia.

Dando uma fuçada no monte de papéis que eu havia amontoado a alguns dias encontrei esse desenho que fiz no N Design em Curitiba.Fiz em uma das oficinas.
”Socorro Aquaman!Um mergulho nos quadrinhos”, era esse o nome da oficina.
Foi bem engraçada essa oficina, e sinceramente a única que prestou das que eu vi.

E mesmo assim ela não era tão boa, como sou chato né?

Não era uma oficina tão prática assim sabe…O cara falou bastante coisa de quadrinhos e até que aprendi bastante…Porém, só de super-heróis…merda né…

Então, não gostei muito por abranger apenas o universo do Supers e nem mencionar os underground de sempre…Masssss….o NDesign foi trash mesmo haha…

Agora quentinho e bem alimentado eu vejo que foi legal.Mas na hora foi tensíssimo.

Mas mesmo sendo uma oficina mais teórica, nesse ano resolveram fazer de todas as oficinas algo prático e teórico junto.Então o cara falou no final:
”Bom ao invés de vocês desenharem o seu super herói ideal, vocês desenharão o vilão ideal…Boa sorte!!”

Foi isso…Daê eu não queria desenhar nada com super poderes, nem nada dessas coisas pois não estou nem um pouco nessa pegada no momento.
Eu respeito.Eu leio.Mas não quero desenhar.Acho que eu nem sei desenhar isso…

O que que eu sei desenhar??

O palestrante disse que gostou do desenho.Mas eu não sei se ele tinha que falar isso pra todo mundo lá…se era obrigado a dizer…Mas eu curti.

Na Padaria.

Essa semana foi muito parada em relação a da FLIP…claro que foi…eu estava na FLIP…como essa seria mais agitada que aquilo?
Desacostumei nessa pegada e fiquei meio na deprê…rs
Nada demais, mas senti que a coisa é bem parada por esses lados…

Agora em português a HQzinha Na Padaria que eu fiz, o Crumb riu e eu chorei.hehe

Enton, eu botei o pdf da hq também aqui, massss ficou grande demais e resolvi botar as páginas aqui mesmo…como eram poucas páginas compensou.

Eu ia explicar toda a ideia que pensei ao fazer essa hq, tanto no enredo e principalmente no final dela, mas meu pai sempre me diz pra fazer e não dar muita explicação, apenas fazer e deixe que cada um reflita ou sei lá o quê.

Espero que curta essa história curta.

Obrigado pelos comentários.

BAIXAR AQUI O PDF GIGANTE:
Na Padaria-CamiloSolano

Choro.

Oi gente!
Obrigado por visitarem meu blog e obrigado pelos comentários.Em uma hora que tiver menos corrido eu respondo, ok?

Por enquanto apenas mais um momento meu com o Crumb hehe…Ainda não acreditando no que aconteceu…Esse desenho que fiz era da hora que falávamos do estilo musical Chorinho…E ele disse ser uma grande apreciador desse som mas não conhece muita coisa…Perguntei se ele conhecia Noel Rosa(que é samba e ele também curte), porém ele disse que não.Pois é, precisa conhecer…

Coincidentemente fiz esse desenho do Paulo Vanzolini logo em seguida,meio que sem saber porque, quis desenhar ele, depois me toquei que uma das melhores letras que ele já fez é de um chorinho de Waldir Azevedo…Pedacinhos do Céu.Puxa que música linda.

Que saudade de tocar um violão.Estou sem ele essa semana.Logo toco.
Abaixo do desenho um vídeo da música que mencionei sendo interpretada por uma mulher que nunca ouvi falar num programa que nunca ouvi falar mas cantando uma música muito boa de ouvir.

É curioso ver o “estáile” dessa galera que tá tocando e cantando.São legais.

Beijos e abraços.

Versão cantada pra sacar a letra:

Cavaquinho e Violão:

E por último, uma versão muito bonita feita no piano apenas.Gostei muito dessa:

É o melhor desses vídeos aí.Também não conhecia o pianista.

Um sonho realizado(o dia mais feliz da minha vida).

Fomos pra Flip.Eu, a Larissa, meu irmão e minha mãe.Enfrentamos a estrada.Ai, como é longe.
Gorfei pra descer a serra.Que coisa viu.

Fomos para ver o Crumb.Na verdade, eu arrastei todo mundo pra ir comigo ver o Crumb.
Robert Crumb, como já disse bilhões de vezes é minha maior influência no traço e no modo de contar histórias.Sem qualquer sombra de dúvida, ele é o maior responsável por onde meu traço caminhou todos esses anos…

Eu amo ele.Via os documentários e lia seus quadrinhos mais e mais quanto mais cedo chegava a hora de ir pra FLIP.
Fomos então.
Paraty é lindo demais.Uma cidade muito pequenina e com calçada de pedra ainda…Porém pedras realmente gigantes.É uma pena que depois que voltei de viagem, minha cidade já não tinha mais esses paralelepípedos na rua…Pois é, em questão de dias asfaltaram tudo…Uma pena,uma merda!!

Enfim, procuramos saber onde que o Crumb estava…Achei que era na Pousada do Ouro onde aconteciam as coletivas, mas depois descobrimos graças a minha mãe que ele estava em outra pousada por ali mesmo…Em Paraty, tudo é por ali.
Meu irmão pegou um disco de 78 rotações da coleçãozinha dos nossos pais para levar pro Crumb que é um colecionador de discos antigos.
Levei um fanzine que fiz pra ele também.

Bom, chegamos na pousada, na portaria disseram que ele era muito fechado, não estava conversando com ninguém, nem com a imprensa nem nada.Que ele era muito tímido e na dele…Disse que ele estava no quarto e que a mulher dele tinha saído.
Resolvemos esperar em frente a pousada numa praça pra ver se encontrávamos a mulher dele.

Nisso, a Larissa deu a ótima ideia de mandarmos um bilhete pra ele pra ver se ele não gostaria de receber o presente que tínhamos levado.Fomos lá e escrevemos.Um cara que trabalhava na pousada foi entregar no quarto de Robert.
Ficamos esperando.Quase mijei nas calças de ansiedade…Ah Meu Deus!Era a hora…Será que ele vinha, será que não??

E então, surge o moço que foi levar o bilhete pro Crumb meio que de cabeça baixa, quando ele olhou pra gente sorriu e fez jóia.
O Crumb viria.

E então segundos depois vejo um senhor muito alto e magrelo andando corcunda pra nossa direção.Era Robert Crumb.Nos chamou pra chegarmos mais perto dele e fomos.

Eu estava tremendo com os olhos cheios de lágrima, não podia crer que estava frente a frente com o Crumb.

Falei que trouxemos o presente pra ele e que viajamos oito horas pra isso e ele fazendo uma careta disse:”Wow!Oito horas?”- em inglês obviamente.
Depois disso ele parou, virou pro lado e saiu andando meio que mandando a gente ir junto com ele.Fomos.Entramos numa sala chiquérrima da pousada e lá todos sentamos e conversamos durante uma hora.
Eu, meu irmão, Larissa, minha mãe e Robert Crumb tendo uma papo informal na cidade de Paraty.

Cara, foi demais.O Crumb é o cara mais legal que já conheci na vida.Muito simples, muito bonzinho…
Ele se mostrou interessado por nosso trabalho no desenho e incentivou-nos a não pararmos, disse que nós deveríamos ser os responsáveis pra fazer a coisa mudar cada vez mais…
E falou muitas outras coisas, falou de música, falou de política, falou do Harvey Pekar.

Eu contei meu sonho que tive dele com o Harvey Pekar no qual eu me transformei no Harvey no fim do sonho e no dia seguinte veio a notícia de que o Harvey tinha morrido…Ele riu muito.E disse que isso se chamava sonhos lúcidos no qual era mesmo preu continuar fazendo o bom trabalho que Harvey fez a vida toda.Poxa.

Rimos todos.
Ele riu do meu fanzine.Do Pão de queijo.Ahhhhh que alegria!!
AHHHHHHHHH

Encontrei com Robert Crumb.
No dia segiunte saímos na Folha de São Paulo.hahaha
Fomos notícia por conseguir conversar com R.Crumb.

Fomos tranqüilos,conversamos como amigos mesmo.E parecia que ele estava precisando de uma conversa.

Aconteceu tanta coisa boa nessa conversa.
As 3 pessoas que viajaram comigo pra Paraty foram essenciais.Minha mãe com a coragem, simpatia e carinho,meu irmão com os discos e o talento, a Larissa com o companheirismo,amor e a boa ideia de mandar o bilhete.Rs.Amo vocês.

Eu AMO Robert Crumb e Aline Crumb.

Uma das fotos de Paraty que ficarão pra História